Crítica | Cinquenta Tons Mais Escuros

Fazer uma crítica sobre os filmes da franquia Cinquenta Tons é sempre muito delicado. Há quem acha que os livros usados para a adaptação é um tanto machista e possessivo, e há quem pensa que é a salvação de um homem perdido, enfim eu assisti Cinquenta Tons Mais Escuros e indico, mas com ressalvas.

É fácil entender porque Cinquenta Tons se tornou uma febre mundial, tantos os livros como suas adaptações, ambos tem aquilo que algumas pessoas podem chamar de algo atrativo. A trama gira em torno de Anastasia Steele, uma garota virgem sem ambições que conhece um homem rico e poderoso, logo ela se vê apaixonada por ele e rodeada em um mundo de carros importados, roupas de grife, celulares e computadores de marcas, no qual ela nunca imaginou fazer parte. Mas como tudo o que é bom, sempre tem o seu lado ruim, Christian Grey é um sádico que não quer relacionamentos convencionais, até Anastasia entrar em sua vida e literalmente ferrar com a cabeça do homem, parece até a clássica história de Cinderela, só que em uma versão mais apimentada.

Em Cinquenta Tons Mais Escuros, a trama se passa alguns meses após os acontecimentos do filme anterior, Anastasia (Dakota Johnson) e Christian (Jamie Dornan) reatam seu relacionamento, prometendo ser algo sem regras e sem segredos. Grey tenta explicar a Ana os motivos nos quais o levou a se tornar um sádico. Enquanto isso Anastasia é perseguida por uma ex-submissa de Christian (Bella Heathcote, de O Demônio de Neon), além de ser confrontada por Elena (Kim Basinger, Sentinela), a mulher que apresentou ao Grey o mundo do BDSM, além disso, a garota precisa lidar com o assedio do seu patrão, Jack Hyde (Eric Johnson, de Smallville).

Apresentando deste modo, parece algo com muita emoção, mas não é bem assim. O longa tem 118 minutos de duração que passa sem muito drama, os conflitos apresentados são todos resolvidos, fazendo o publico mal notar sua existência, inclusive um incidente que envolve um helicóptero prova bem esse problema do qual estou falando. Acredito que ocorreu uma negligencia por parte da direção e produção por não explorar tanto esses conflitos a fim de trazer mais emoção para o filme, mas sem duvidas o foco deles estava no erotismo, no qual achei que foi mais sensual do que no filme anterior, nessas cenas teve um toque de romantismo, então para aqueles que assistiu o primeiro filme e ficaram chocados com a agressividade, em Cinquenta Tons Mais Escuros as cenas de sexo foram mais românticas.

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Sobre os personagens, temos a Leila, vivida por Bella Heathcote. A atuação da atriz merece aplausos, representou bem o papel de uma moça com sérios problemas mentais causados por um relacionamento complicado com o Grey no passado, uma pena é que foram poucas as vezes que a personagem apareceu, as cenas são rápidas, deixando assim de mostrar mais o personagem e todo o seu problema de obsessão por Christian.

Kim Basinger que interpreta Elena teve sua participação desperdiçada, a atriz conhecida pelo thriller erótico “Nove e Meia Semanas de Amor”, tem apenas quatro cenas, pouco mais do que cinco minutos de atuação, sendo que Elena é uma personagem no qual estaria ali para causar intrigas no relacionamento frágil de Anastasia com Grey, de certa forma isso aconteceu, Elena ainda plantou a semente da duvida, então torno a dizer, faltou explorar mais o drama de Elena com Christian.

Sobre Jack Hyde (Eric Johnson), foi o ponto que mais me incomodou, de 0 a 100 o personagem se transformou de um chefe interessado pra um maniaco louco com pouco menos de três cenas, no livro os fatos não acontecem tão rápido, é por isso que o filme me incomodou um pouco, mas ressalto que o ator Eric Johnson fez um excelente papel na sua transformação de bom patrão a louco obsessivo. No final do filme Jack tem uma pequena aparição que me satisfaz, pois indica que teremos muitos problemas com ele no terceiro filme da franquia.

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Todos esses pontos tinham tudo para ter um material mais dramático e bem elaborado, – a ex-submissa louca, o relacionamento do Grey com uma mulher mais velha e o assedio do chefe –, mas a fidelidade ao livro deixou o filme muito superficial. Eu disse uma vez que o livro tem um conteúdo bom, mas não é bem explorado e sua narrativa é cansativa, e o filme seguiu o mesmo estilo, assim decepcionando algumas pessoas. Novamente Jamie Dornan é o destaque do filme, atuando bem o papel do Grey dominador, e Dakota Johnson tem algo em sua atuação que não me agrada tanto, talvez seja apenas seu papel da garota inocente e indecisa, porque no livro Anastasia é exatamente assim.

Em Cinquenta Tons de Cinza eu senti falta da química entre Dakota e Jamie e nesse segundo filme eu ainda continuo achando que eles não têm a tal química perfeita para o papel. Um fato que copiaram do livro e eu rezei para que não fizessem isso, mas fizeram são os diálogos péssimos, algumas partes do filme os diálogos que eram para ser sérios, mas dá vontade de ri.

“Você me ensinou a foder, mas ela me ensinou a amar!

Essa frase poderia ter saído melhor, tenho certeza disso! Grey, Elena ela não te ensinou nada, está fazendo tudo errado. Você Não Sabe de Nada, Jon Snow. Desculpa pela piada péssima. (rsrsrs)

Enfim, nem tudo é ponto negativo, a trilha sonora é maravilhosa, e está disponível no Spotify AQUI. Além de “I Don’t Wanna Live Forever“, música tema interpretada por Taylor Swift e Zayn, a playlist está recheada de músicas inéditas de Halsey Sia, Tove Lo, Nick Jonas + Nicki Minaj e John Legend. Os figurinos são elegantes, os cenários encantadores e se passa na cidade de Seatlle em Washington, e mesmo que o filme tenha uma trama fraca, vale à pena assistir em um final de semana tranquilo, ou à noite para dar aquele soninho.

Título: Cinquenta Tons Mais Escuros
Direção: James Foley 
Duração: 118 minutos
Classificação: 3,8/5 

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6 comentários sobre “Crítica | Cinquenta Tons Mais Escuros

  1. Oi, Leisi!
    Amei sua crítica! Parabéns!
    Eu também achei que os conflitos foram resolvidos de forma rápida, mas a “culpa” mesmo é da autora. No livro, também se resolvem assim, exceto a questão da submissa.
    No geral, eu gostei bastante do filme. Saí da sala com vontade de ler logo o último livro.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Literário de Carnaval
    Resenha Premiada Paixão e Crime
    Sorteio Três Anos de Historiar

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi! Eu assisti o filme e concordo com todos os pontos, as cenas de drama e tensão poderiam ter sido muito mais exploradas, porque tive a impressão que dez segundos depois tudo já havia se resolvido. Jack com certeza foi o personagem que mais gostei, espero ver esse lado obsessivo e louco no terceiro filme melhor explorado. Eu detesto a atuação da Dakota, acho ela extremamente sem sal ou não sei se ela representa Ana tão bem que fica muito sem graça, o fato é que ela é muito parada para mim, não sinto química entre os dois, mas fazer o quê. Mesmo assim, quero muito assistir o terceiro filme.
    Beijo! https://leitoraencantada.blogspot.com.br

    Curtido por 1 pessoa

  3. Definitivamente o casal não tem química. Na verdade, a atriz escolhida é MUITO sem-graça. Assisti o primeiro filme e me decepcionei demais, no entanto comprei o livro porque 100% das pessoas dizem que o livro é melhor, claro rs.
    Não tenho interesse em ver esse segundo filme, mas se o primeiro livro for bom vou ler todos eles.

    Duas Leitoras – no Top Comentarista de Março você pode escolher entre 4 livros!

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